Associação Geratradição quer reavivar tradições e dinamizar aldeia de Tinhela de Cima
A Associação Geratradição, criada há cerca de ano e meio em Tinhela de Cima, na freguesia de Bornes de Aguiar, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, quer recuperar tradições antigas da aldeia e dinamizar a comunidade com a realização de pelo menos um evento por mês ao longo de 2026.
Localizada na freguesia de Bornes
de Aguiar, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, a aldeia de Tinhela de Cima
sentia a falta das tradições e eventos que se faziam em tempos idos. Foi após
ouvirem a população a falar destes eventos com alguma mágoa envolvida que foi
fundada uma Associação Cultural, Recreativa, Desportiva, Religiosa e Social,
sem fins lucrativos, que envolve uma equipa de dez pessoas.
Mathieu Correia é o Presidente da
Geratradição e José Miguel Carvalho o Vice-Presidente. Contam ainda com
Cristina Adão, que ajuda igualmente na parte logística dos eventos e também com
Ricardo Gonçalves, Joaquim dos Anjos, Luís Correia, Nicolas Correia, Carla
Fernandes, Celina Martins e Lara Martins.
Sem espaço físico oficial, a
Geratradição utiliza as instalações de um estabelecimento de restauração e
bebidas, contudo, para o Presidente da Associação, é importante esclarecer que
são duas entidades distintas e que estão ligadas apenas na cedência do espaço
para atividades e na logística de eventos de restauração.
Associação como motor de dinamismo e reativação de tradições
A Geratradição pretende
“desenvolver e manter as tradições aqui na aldeia de Tinhela de Cima” e também
trazer “inovação com vários eventos que já fizemos no ano passado, como por
exemplo, a matança do porco, a festa das colheitas, o presépio vivo, que são
eventos que nós criámos, que também engloba a tradição do nosso meio rural, mas
nesta aldeia não existia”, explica Mathieu Correia.
Tudo começou com a reativação das
festas da aldeia, em agosto de 2024, que não se realizava “há mais 15 anos”,
refere. A ideia nasceu numa noite “com um grupinho de pessoas que começou a
relembrar a festa, que se fazia no centro da aldeia, tinha um conjunto a tocar
e passavam um bom momento e hoje em dia não se faz”, recorda o Presidente da
Associação. Perante esta nostalgia, decidiram “criar uma Comissão de Festas
para realizar a festa de 2024, que foi uma experiência totalmente nova e em que
aprendemos muitas coisas”.
O evento foi “um sucesso” e
motivou a Comissão de Festas a continuar “com este dinamismo de realizar
eventos e de manter as tradições, e acabámos por criar a Associação
Geratradição, na altura com o Zé Miguel, a minha mãe [Cristina Adão], e
juntando as pessoas que já estavam na Comissão de Festas”, explica Mathieu
Correia. “A preservação da tradição é o que nos move enquanto associação”,
reforça José Miguel Carvalho. Além destes pelouros, “a paróquia de Bornes de
Aguiar também nos atribuiu a gestão da capela, ou seja, a Comissão Fabriqueira,
à qual chamamos Comissão da Capela”.
“Um evento por mês”
A Geratradição avança que para
2026 tem um “plano de atividades bastante recheado, temos sempre uma atividade
por mês”.
Quanto à calendarização dos
próximos eventos, o Vice-Presidente da Geratradição, José Miguel Carvalho,
adianta que o primeiro está muito próximo, a dia 22 de fevereiro, para celebrar
o Carnaval. Decidiram agendar no fim de semana após o Carnaval precisamente
para não colidir com outras celebrações na freguesia. “Temos prevista a
realização de um evento de Carnaval, com baile de máscaras, com um concurso de
disfarces, à semelhança do ano passado, que correu muito bem, veio bastante
pessoal de fora da aldeia para participar”.
A matança do porco será em março,
evento que também se fez no ano passado. Esta celebração surgiu após uma
habitante mostrar fotografias de há alguns anos atrás, mostrando como era
feita, e todo o convívio que se fazia sentir. O executivo da associação quis
salientar que, apesar de o nome ser matança do porco, “o ato em si não é
realizado e seguimos todas as questões legais”, salientando que o importante é
o encontro das pessoas e o convívio.
A vertente religiosa surge na
Páscoa, em abril, com “um desfile à volta da aldeia e a bênção das casas por
parte do pároco”.
Maio será o mês dirigido à
captação de sócios para a Associação e, no mês seguinte, uma celebração dos
santos populares. Em julho terão parcerias em feiras e festivais, como o
Artimanha e, em agosto, um dos momentos altos, será a festa da aldeia, dizem.
Em setembro terão parcerias com outras entidades e em outubro destacam a festa
das colheitas que vai para a segunda edição e que “tem bastante adesão e tem
sido dos eventos mais marcantes da associação”, lembra Zé Miguel. Em novembro
será realizado o magusto “numa terra de castanha”. O último mês do ano tem
reservadas várias atividades, como “a entrega de presentes a todas as casas da
aldeia, além dos cabazes”, a encenação do presépio vivo, uma tradição que
inauguraram em 2024, “que cresceu em 2025” e que pretendem manter e desenvolver
em 2026, para que “seja um marco no concelho, que traga gente de fora e que
potencie esta aldeia e as aldeias aqui à volta”.
“O maior desafio é estarmos numa aldeia com pouca densidade
populacional”
Quem o afirma é o
Vice-Presidente, que acrescenta que “é onde gostamos de viver e onde nos
sentimos bem, mas para fazer este tipo de eventos, precisamos de cativar também
outro público, como as pessoas de Vila Pouca, de Pedras Salgadas, seja de onde
forem, embora eu goste de desafios e acho que faz todo o sentido o trabalho que
estamos aqui a desenvolver”, conclui.
Para Mathieu Correia, o facto de
serem “uma associação nova, que tem de se implementar e de atrair o máximo de
pessoas para o nosso lado, é dos maiores desafios”, acrescentado ainda que um
outro desafio da Geratradição no ano de 2025, foi darem-se a conhecer e
divulgar os eventos realizados pela associação, desmistificando a ligação com
outras possíveis entidades.
Como balanço deste ano e meio de
atividade e as recompensas recebidas até então, referem que é importante
“realizar bem as atividades, que as tradições realmente sejam preservadas, que
a população esteja envolvida e reavivar memórias e alegria”, disse Zé Miguel.
Para Mathieu Correia, a recompensa é “ver que as pessoas vêm às atividades e
que já têm um certo sucesso, e conseguir, com as nossas ideias, ter um lugar no
painel de associações que já temos aqui no concelho, e ver que as pessoas saem
das nossas atividades satisfeitas, que acabam por tornar a vir e dinamizar esta
aldeia”.
Por fim, um dos motes que move a
Geratradição é “a tradição, e tudo aquilo que nos identifica como pessoas, a
nossa memória coletiva, que tem de ser preservada porque, senão, somos todos
iguais”, remata José Miguel Carvalho.
Ângela Vermelho
Fotos: Geratradição e DR
17/02/2026
Cultura