Ações de sensibilização da GNR para limpeza florestal trazem mais consciencialização

A Guarda Nacional Republicana (GNR) está a realizar ações de sensibilização de limpeza florestal, no âmbito da campanha “Floresta Segura 2026”, entre os dias 16 de fevereiro e 30 de abril, no distrito de Vila Real, com o objetivo de esclarecer sobre a gestão de combustíveis e a prevenção de incêndios rurais.

Em Vila Pouca de Aguiar, uma dessas ações realizou-se na Junta de Freguesia de Capeludos de Aguiar, na sexta-feira, dia 20 de fevereiro, onde compareceu cerca de uma dezena de pessoas.

Após algumas iniciativas já realizadas no distrito de Vila Real, o Capitão Rui Novais, Comandante do Destacamento Territorial de Vila Real, explicou que a aceitação por parte da população “tem sido muito boa, nota-se uma consciencialização cada vez maior por parte das pessoas, no que diz respeito à adoção de cuidados na utilização do fogo”. Como consequência desta maior consciencialização, reforça, “temos registado melhorias significativas em todas as áreas, e isso parte da aceitação de todos estes aconselhamentos que vão sendo difundidos”.

A escolha das localidades a realizar estas iniciativas tem a ver com um maior risco de incidência de incêndios, mas não só. “O critério passa por escolher as freguesias que têm um índice de perigosidade mais elevado. No entanto, também são abrangidas freguesias que, não se enquadrando, também necessitam naturalmente desse tipo de atenção”.

Segundo o Capitão Rui Novais, na operação “Floresta Segura”, os objetivos passam por “monitorizar e identificar os locais que se encontram em situação de incumprimento”, no que diz respeito às faixas de gestão do combustível, mas também “sensibilizar e aconselhar as pessoas para a adoção de comportamentos que evitem colocá-las em risco”.

O facto de, por vezes, os terrenos ainda não estarem identificados constitui uma das principais dificuldades neste processo, assim como quando ocorrem partilhas entre vários herdeiros ou propriedades de emigrantes. Também o envelhecimento da população, em que os proprietários ficam mais debilitados com a idade, é um dos obstáculos ao cumprimento das normas.

“No entanto, tem sido notório, nos últimos anos, uma evolução muito significativa na consciencialização”

Apesar de nem sempre conseguirem chegar até aos proprietários, existem “outras entidades com as quais trabalhamos em estreita parceria, como por exemplo, Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia, e o objetivo final é que realmente consigamos efetuar e efetivar a gestão do combustível no sentido de evitar o perigo para todos”, esclarece o Comandante do Destacamento Territorial de Vila Real.

Calendarização de limpezas florestais

“Nesta primeira fase, de 16 de fevereiro a 30 de abril, vamos andar a monitorizar e identificar esse tipo de locais, e difundir uma série de conselhos numa perspetiva pedagógica para as pessoas saberem se devem limpar ou como é que o devem fazer,” esclarece o Capitão Rui Novais, que acrescenta que as datas podem sofrer prorrogações consoante as condições meteorológicas. A partir de 1 de maio, na segunda fase, dá-se o início das fiscalizações para verificar o estado dos terrenos identificados previamente e, em caso de incumprimento, será levantado um auto de contraordenação cujos valores começam nos 150 até aos 1.500 euros.

No ano de 2025, em Vila Pouca de Aguiar, foram referenciados, numa primeira fase, 16 terrenos em incumprimento sendo que destes, 11 fizeram a limpeza de forma voluntária.

Medidas a ter em conta

Desde a alvenaria do edifício terá de haver uma distância de 50 metros de terreno limpo até à vegetação, em volta de todo o edifício. Neste ponto, a GNR reforça que conta a partir da alvenaria da casa, ou seja, das paredes, e não dos portões ou outras estruturas que possam ter à sua volta. Entre as árvores terá de haver uma distância de cinco metros e, entre as copas das mesmas, uma distância de quatro metros.

Jorge Monteiro esteve na ação de sensibilização promovida pela GNR e considera relevante este tipo de iniciativas, “é importante informar as populações das condições que têm que ser feitas para se cumprir a limpeza”. No entanto, alerta que nem toda a gente tem acesso às tecnologias para solicitar a ajuda necessária. “Há certas pessoas que não têm condições, como falaram sobre o computador, e a população de hoje em dia são pessoas já de idade, muitas usam computador e telefone, mas há outras que não têm”.

Terrenos adjacentes preocupam proprietário

José Simões da Silva, a viver há sete anos num terreno com um hectare na aldeia de Freixeda, na freguesia de Capeludos de Aguiar, mostrou-se muito preocupado com os terrenos que rodeiam a sua propriedade, cuja limpeza florestal não tem sido realizada. “Nos terrenos contíguos aos meus há muita falta de higiene, muita falta de limpeza e aquilo é um perigo, podem acontecer vários incêndios, tanto de um lado como do outro, porque estou entre duas posições, o que pode criar vários problemas”.

O entrevistado explica que tem “tudo em ordem”, mas tem receio de que haja um incêndio que alastre ao seu terreno. “O mal nas aldeias é este, metade das coisas não são declaradas, está tudo ao abandono”.

O proprietário abriu as suas portas ao Notícias de Aguiar para mostrar a situação descrita, tendo os elementos da GNR presentes na atividade comparecido no local para verificação. Após medições, concluíram que pelo menos num dos terrenos contíguos ao seu terá de haver uma limpeza florestal, por estar em incumprimento relativamente aos 50 metros de terreno limpo de combustíveis.

Texto e fotos: Ângela Vermelho


24/02/2026

Sociedade